Otelo (1604), célebre tragédia de Shakespeare, tem sua fonte em uma novela italiana do século XVI, que o autor inglês metamorfoseou em drama da paixão e do ciúme. Com Otelo, pela primeira vez um negro tornou-se personagem do teatro ocidental.
Otelo é um príncipe africano, leal, bravo, generoso, que se une aos cristãos para combater os turcos. Apaixona-se por Desdêmona, filha de um senador veneziano, e secretamente a desposa. O drama toma forma com o aparecimento e as manobras de Iago, oficial de Otelo; para vingar-se do mouro, que teria cortejado sua mulher, Iago suscita no coração de Otelo a suspeita da infelicidade de Desdêmona.
O ciúme instala-se como um veneno, e Otelo torna-se vítima de uma loucura crescente, que culmina com o assassinato de Desdêmona. Ao descobrir finalmente a verdade sobre as perversas intrigas de seu subalterno e convencido da inocência de Desdêmona, Otelo se mata. Iago é executado.
Otelo, ou o drama do ciúme: a força da peça reside na maneira como o dramaturgo mostra o nascimento, depois o crescimento e, por fim, o completo domínio do ciúme sobre a alma de Otelo.
Shakespeare nos faz ver como um homem sinceramente amoroso se deixa possuir por uma paixão devoradora, que o levará ao crime. O amor transformado em furor, a felicidade de amar transformada em desejo de morte.
A dupla Otelo-Iago que dá profundidade ao drama ,pois encarna o confronto da candura e da inteligência, o choque entre o Otelo ingênuo e o manipulador.
Em sua ópera Otelo (1887), Verdi deu papel preponderante a Iago.
Prof. José Pereira da Silva






















