Esse alexandrino faz parte da tragédia Andromaque (Andrômaca), de 1667, inspirada em Eurípedes, Homero e Virgílio.
A Guerra de Tróia termina com a morte de Heitor e a vitória dos gregos. Depois do incêndio da cidade, Andrômaca é levada cativa, juntamente com seu jovem Astánax, para a casa de Pirro, no reino de Epiro; Pirro era filho de Aquiles, a quem os gregos haviam confiado a administração de Tróia. Orestes, filho de Agamenon, é mandado à presença de Pirro, a fim de reclamar a cabeça de Astíanax, último representante da linhagem real de Tróia.
Paralelamente a esse jogo político, desenvolve-se um drama passional insolúvel: Orestes reconquista o coração de Hermíone ( a filha de Helena e Menelau), oficialmente prometida a Pirro, que a troca por Andrômaca.
Andrômaca recusa-se inicialmente a casar-se com o rei de Epiro; entretanta, mais tarde cede à chantagem, cujo preço é a vida de Astíanax. Furiosa por ter sido abandonada, Hermíone exige de Orestes que mate o perjuro. Mas, quando ela descobre que o infiel Pirro foi assassinado, Hermíone cobre Orestes de acusações e se mata. Desesperado, Orestes perde o juízo. Andrômaca, viúva pela segunda vez, tem permissão para ficar no Epiro com seu filho Astíanax.
Andrômaca é uma peça da loucura e do excesso. Ao terminar sua peça com a loucura de Orestes, não estaria Racine dando a atender que a História é o lugar no qual se experimentam as paixões humanas, sua loucura, seu exagero: o lugar do trágico.
Prof. José Pereira da Silva






















