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sábado 7 março 2026
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Literatura em gotas – Harpagon

Harpagon é o personagem principal de O avarento, comédia de Molière, composta de cinco atos em prosa (1668).
Harpagon é apaixonado pelo dinheiro. Trata-se de um burguês muito rico, que impôs a todas as pessoas de sua casa, inclusive crianças e criados, uma existência de absurdos e insuportáveis restrições. Ele é viúvo. E em torno de seus dois filhos tecem-se duas intrigas amorosas.

Sua filha Élise ama Valière, mas o pai espera casá-la com o senhor Anselme, que não exige dote. Seus filho Cléante ama a doce e modesta Marianne. Harpagon opõe-se a este amor, pois deseja Marianne para si próprio.

A fim de embrulhar ou desembrulhar as intrigas, em conformidade com as tradições da comédia, entram em cena os criados La Flèche e Mestre Jacques, além de Frosine, uma alcoviteira. No final tudo se arranja. Uma inacreditável cena de reconhecimento, na tradição da comédia, permite que se realize o duplo casamento dos filhos de Harpagon.

No final da peça, Harpagon fica só, em companhia de seu cofrinho. Ele ama-o e trata-o como o objeto de todos os seus desejos. No final das contas, o cofre é o único objeto do célebre monólogo que conclui o Ato IV. O dinheiro comanda a vida do avarento. O dinheiro tornou-se um fim e um prazer em si.

O avarento deve muito ao seu modelo latino, a Aulularia, de Plauto, na qual o cofre é uma marmita. O artifício final vem também da comédia antiga e do romance grego. Molière já admitia ser dato o seu personagem, é hoje uma figura anacrônica. Nossa época é consumo e da mobilidade do dinheiro.

A posteridade do avarento deve ser procurada em Balzac, que se valeu do tipo Harpagon para criar o realismo do personagem do pai Grandet.

Prof. José Pereira da Silva