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sábado 7 março 2026
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Literatura em gotas – Emma Bovary

Emma Bovary é a heroína do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary (1857) subintitulado Costumes da província, que é ao mesmo tempo um drama realista e uma análise psicológica.

A ação se passa na Normandia, em meados do século IXX; trata do destino trágico de uma mulher e foi inspirado por uma notícia de jornal. Por causa do romance, em cujo centro está o adultério, Flaubert teve de enfrentar um processo judicial. O procurador que o denunciou, em nome da sociedade e da moral, foi o mesmo que processou Baudelaire, pela suposta imoralidade dos poemas contidos em seu livro As flores do mal.

O romance conta a parte mais importante da vida de Emma Rouault, filha de fazendeiros, que se casa com um médico do interior, Charles Bovary. Como o título indica, o que interessa ao autor é fazer o retrato de Madame Bovary, esposa de um homem simples e bom.

Ao escolher para o principal personagem masculino o nome de Bovary, Flaubert recorreu à etimologia (bovis, boi em latim), com o objetivo de assinalar a lentidão pouco viril do marido, cuja mediocridade contrasta com a alma romântica de sua mulher.

A história de Emma é toda ela a história de uma grande tensão, de um dilaceramento: o mundo ao qual aspira jamais corresponderá à realidade que se oferece a ela. De suas leituras adolescentes, repletas de cavalheiros, belas damas e grandes sentimentos, Emma extrai uma visão romântica e romanesca do mundo; e, em seu casamento burguês, vai perder as ilusões.

Flaubert trabalhou com sucesso essas duas dimensões: compreendeu sua heroína e foi capaz de conhecer o mundo real. Emma tornou-se a grande protagonista do amor insatisfeito. O romance de Flaubert até hoje só deu lugar a pálidas adaptações cinematográficas.

Prof. José Pereira da Silva