François René de Chateaubriand(1768-1848) nasceu em Saint-Malo,cidade da Bretanha,e faleceu em Paris.Escreveu,entre outros livros,o monumental Mémoires d’outreé tombe(Memórias de além-túmulo).Autor entre dois mundos ou duas épocas,sua obra reflete a passagem do século XVIII neoclássico ao romantismo.
Esteve na América do Norte tentando encontrar,como diz,a passagem noroeste para o continente asiático.Sob Napoleão e,depois,na Restauração(1815-1830) exerceu vários cargos políticos.Torna-se conhecido no mundo das letras sobretudo a partir de Atala(1801) e René(1805),duas curtas narrativas.Que integrariam uma obra consagrada à religião cristã,O gênio do cristianismo.Ambas,em projeto original mais antigo,deveriam pertencer aos Natchez,epopéia da vida selvagem.Suas narrativas imbricam-se umas às outras,e seu pensamento amadurecido,já descrente da vida política,surge com toda força no livro de memórias que mescla a vida pessoal a acontecimentos históricos.
Não se deve,contudo,minimizar os trabalhos anteriores que também marcaram o século XIX e a nascente literatura brasileira: a história da índia Atala,personagem dramática que ecoou no lirismo de Iracema,de José de Alencar;as desventuras de René,dominado pelo vazio das paixões que marca profunda e precocemente um caráter desiludido e descrente.Entre outros livros de narrativa ou literatura de viagem,tiveram menor repercussão a epopéia Os mártires ,as aventuras de O último abencerragem e o Itinerário de paris a Jerusalém.Há também a Vida de Rance,recebida friamente,mas hoje considerada uma pequena obra-prima.
É nas memórias,no entanto,que se manifesta em sua plenitude o ceticismo de Chateaubriand,a capacidade de seduzir com suas paisagens encantadas,o registro agudo de um mundo em transição, o seu: “Je me suis trouvé entre deux siècles dans La confluence de deux fleuves;j’ai plongé dans lês eaux troubles,méloignant à regret dês vieux rivages,nageant avec esperance vers dês rives inconnues”(Encontrei-me entre dois séculos como na confluência de dois rios;mergulhei nas águas turvas,afastando-me com tristeza das velhas margens onde nasci,nadando com esperança para terras desconhecidas).
Prof. José Pereira da Silva






















