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sábado 7 março 2026
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Letalidade policial em SP: mortes por PMs em serviço cresceram em 2025

Letalidade policial em SP: mortes por PMs em serviço cresceram em 2025

Dados do Ministério Público de São Paulo apontam um crescimento no número de mortos em ações da PM comparado aos últimos anos

O Estado de São Paulo registrou aumento nas mortes provocadas por policiais militares em serviço pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, foram contabilizadas 672 mortes em intervenções policiais, sendo 184 somente na capital.
Os dados são do Gaesp (Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial), do Ministério Público.

Em comparação com 2024, quando foram registradas 653 mortes, houve um aumento de 3%. Naquele ano, a maior concentração ocorreu na capital, com 185 vítimas.

Em 2023, o número foi de 357 mortes, enquanto no ano anterior, foram 262 vítimas. O ano com o maior número de mortes decorrentes de intervenção de PMs em serviço foi 2019, com 720 casos.

A nuance mais expressiva aparece, no entanto, na comparação de 2025 com 2023. O aumento foi de 88,24% em relação aos números de 2023.

Naquele período, as câmeras corporais utilizadas pelos policiais eram de um modelo já descontinuado.
As COPs tinham como principal foco o registro de ocorrências e a utilização como prova, com sistema mais básico, acionamento manual frequente e menor integração em tempo real.

As novas câmeras corporais implementadas em SP no começo do ano passado funcionam através de acionamento automático, integração ao sistema 190 e armazenamento criptografado e visam garantir uma maior eficiência e transparência nas operações.

O que diz a SSP

Em nota à CNN Brasil, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que todas as ocorrências de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIPs) são rigorosamente investigadas pelas Polícias Civil e Militar, inclusive com acompanhamento das corregedorias, do MPSP e do Poder Judiciário. Leia a nota na íntegra:

“A Secretaria da Segurança Pública (SSP) destaca que todas as ocorrências de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIPs) são rigorosamente investigadas pelas Polícias Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Desde 2023, mais de 1,2 mil agentes foram presos, demitidos ou expulsos das corporações por desvios de conduta, evidenciando o fortalecimento dos mecanismos de controle, fiscalização e responsabilização.

Paralelamente, a pasta mantém ações permanentes voltadas ao aperfeiçoamento do trabalho policial e à redução da letalidade. Os protocolos operacionais passam por revisões contínuas e o Estado tem investido de forma consistente em tecnologia, capacitação profissional e na ampliação do uso de equipamentos de menor potencial ofensivo. Nesse contexto, mais de 3.500 armas não letais foram incorporadas ao arsenal das forças de segurança.

Nos dois primeiros anos desta gestão houve redução de quase 25% nos números de mortes em confrontos com policiais em serviço, em comparação aos primeiros anos da gestão anterior.”

Casos em 2025

No julho de 2025, o jovem negro Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, foi morto pelo policial militar Fabio Anderson Pereira De Almeida, de 35 anos, após o agente reagir a uma tentativa de assalto e matar o jovem, que não tinha envolvimento com o caso.

O crime aconteceu após Guilherme sair do trabalho localizado em Parelheiros, Zona Sul de São Paulo.

Apesar de ser afastado do cargo, Fábio Anderson Pereira de Almeida teve liberdade a provisória mantida em uma decisão realizada pelo Tribunal de Justiça em agosto do ano passado.

Casos em 2024

Em novembro de 2024, Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de medicina da faculdade Anhembi Morumbi, foi morto por um policial militar após ser abordado por eles em um hotel no bairro da Vila Mariana, zona sul da cidade.

A versão contada pelos PMs de que o estudante resistiu a abordagem policial, não condiz com as imagens de segurança do homem, que mostram que o estudante não tentou pegar o revólver do agente.

Os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Padro viraram réus no processo que apurava a morte de Marco. No entanto, em outubro de 2025, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou o pedido de prisão preventiva deles. (Fonte: CNN).