Os Estados Unidos estão passando por uma revolução silenciosa nas entregas urbanas, impulsionada por robôs autônomos e drones que prometem transformar a logística e a experiência dos consumidores.
Em Austin, Texas, a rede de supermercados H-E-B está liderando um projeto piloto inovador: robôs terrestres autônomos que entregam pequenos pedidos diretamente na porta dos clientes, como pizzas e bebidas. Desenvolvidos pela startup Avride, esses veículos navegam com segurança pelas ruas, enfrentando obstáculos e condições climáticas variadas, e operam sem custo adicional via o aplicativo Favor. Cada robô transporta até 10 itens em um raio de 1,6 km, acelerando a conveniência para os moradores locais.
Por sua vez, a Amazon, que investiu durante anos no robô Scout, encerrou esse programa em 2023 após desafios técnicos e resistência dos usuários. Porém, a gigante não abandonou a automação e continua investindo em novas tecnologias para aperfeiçoar suas entregas.
Enquanto isso, os drones da Walmart vêm ganhando escala. A empresa, em parceria com a Wing (subsidiária da Alphabet), realizou mais de 150 mil entregas testes desde 2021 e planeja expandir seu serviço para 100 lojas em cinco cidades americanas até 2026, com entregas prometidas em até 30 minutos ou menos. Esses drones são capazes de transportar pacotes de até 2,3 kg, como alimentos, medicamentos e produtos essenciais, diretamente para os quintais dos clientes.
Esse avanço está sendo impulsionado por três ordens executivas assinadas pelo presidente Donald Trump e que facilitarão a regulamentação e aceleração da adoção de drones e outras tecnologias avançadas de aviação.
Desde o primeiro mandato, Trump tem promovido ações voltadas à integração dos drones à aviação civil. Em 2017, o então presidente lançou um programa-piloto com governos estaduais, locais e tribais para testes de aplicações inovadoras. A tecnologia também tem sido empregada em ações de patrulhamento da fronteira sul dos EUA e em setores como agricultura de precisão, inspeção de infraestrutura, logística e segurança pública.
Lisa Ellman, CEO da Commercial Drone Alliance, destaca: “As novas regulamentações são um passo fundamental para desbloquear o potencial dos drones, garantindo operações mais seguras e eficientes, além de abrir portas para inovação e crescimento econômico.”
Além disso, a Administração Federal de Aviação (FAA) está implementando novas regras que permitem operações além da linha de visão do operador (BVLOS), facilitando entregas mais rápidas e abrangentes. A agência também está investindo em ferramentas de inteligência artificial para melhorar a segurança e a eficiência das operações de drones.
Especialistas acreditam que a adoção generalizada de drones pode levar a uma redução significativa no tráfego e nas emissões de carbono, além de melhorar a eficiência das entregas. “Estamos apenas começando a explorar o potencial dos drones”, afirmou Ellman. “À medida que a tecnologia avança, veremos ainda mais inovações que beneficiarão consumidores e empresas.”
No Brasil, contudo, a adoção dessas tecnologias enfrenta desafios urbanos e logísticos maiores. A infraestrutura das grandes cidades brasileiras, com fiação aérea exposta, ruas estreitas e alto índice de vandalismo, dificulta a circulação segura de robôs autônomos e drones. As condições climáticas, como chuvas frequentes e ventos fortes, complicam ainda mais o uso em larga escala.
Por isso, alternativas como os pontos de coleta inteligente têm ganhado espaço no país. Esses sistemas permitem que consumidores retirem suas encomendas em locais estratégicos, reduzindo custos e desafios das entregas domiciliares. Grandes varejistas, como a Amazon, já adotam essa estratégia no Brasil, adaptando a tecnologia às particularidades do mercado local.
Enquanto os EUA avançam com robôs e drones entregando direto na porta, o Brasil precisa superar barreiras para que essa inovação seja plenamente aproveitada. O futuro das entregas, portanto, passa pela adaptação das soluções tecnológicas às realidades urbanas e sociais brasileiras — um desafio que, quando vencido, pode transformar profundamente o comércio e a vida dos consumidores.
@danibalieiroamorim
Austin, TX






















