Frequentemente, nos deparamos com eventos que fogem à compreensão, que nos distanciam de qualquer índice remanescente de alguma humanidade.
Cinco rapazes atearam fogo a um indígena que dormia sob a cobertura de um ponto de ônibus em Brasília.
Pertencente à tribo pataxó, Galdino Jesus dos Santos, 44 anos, estava em Brasília com outros integrantes da mesma etnia para participar de reuniões com representantes do governo federal sobre conflitos fundiários de seu povo, no sul da Bahia. Teve 95% de seu corpo queimado.
Galdino trabalhava como agricultor na Aldeia Caramuru Paraguaçu. Não conseguiu entrar na pensão onde estava hospedado em Brasília e resolveu dormir no ponto de ônibus, a alguns passos da porta da hospedaria. Pouco tempo depois, acordou com o corpo em chamas.
Apesar de ser socorrido, Galdino não sobreviveu.
Os assassinos foram presos porque uma testemunha seguiu o carro dos delinquentes até conseguir anotar a placa. Assassinaram por mero divertimento. Eles confessaram que a motivação seria “dar um susto”, após despejar dois litros de combustível e riscar vários fósforos sobre o corpo do indígena.
Inacreditavelmente, os cinco assassinos são hoje funcionários públicos em Brasília.
Crime paralelo ocorreu em Santa Catarina: cinco jovens torturaram e deixaram agonizando o cãozinho Orelha, de 10 anos, na Praia Brava, Florianópolis.
Dois dos delinquentes estão foragidos, provavelmente em outro país. Um dos pais dos adolescentes ameaçou o porteiro do condomínio, que não somente foi testemunha, como também gravou o crime. Exigiram que ele apagasse a filmagem. O porteiro foi afastado do serviço.
A polícia de Santa Catarina cumpriu na manhã do dia 26/01 mandados de busca, tendo em vista incluir também os responsáveis legais por encobertamento do crime. Três adultos teriam se envolvido na coação para dificultar o avanço do processo.
Testemunhas informam que os adolescentes já teriam tentado matar outros cachorros, sendo um deles por afogamento.
Os dois episódios causaram comoção nacional.
Não há explicação para tanta barbaridade, ainda mais vindo de adolescentes pertencentes a famílias às quais não faltaram instrução.
Florianópolis parou para acompanhar o processo.
Fico imaginando a incompreensão do indígena com a brutalidade e do cãozinho que inocentemente confiou em quem o matou.
Que o Brasil jamais esqueça.
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por José Alencar Galvão
alencargalvao@terra.com.br






















