Decreto assinado pelo governador Tarcísio de Freitas abre caminho para a concessão pública da ferrovia centenária; “É um marco”, comemorou o prefeito Caê
Foi dada a largada para a concorrência pública que vai conceder a Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ) à iniciativa privada. O governador Tarcísio de Freitas deu o pontapé inicial nesta segunda-feira, 12, ao assinar o decreto autorizando a abertura da licitação. “É mais um importante passo neste programa ferroviário, neste programa de investimentos do Estado de São Paulo”, disse o governador em vídeo publicado nas redes sociais.
O projeto de concessão
A intenção do Governo de São Paulo é conceder a infraestrutura turística da EFCJ, incluindo o Museu de Memória Ferroviária localizado no Parque Capivari, o Parque Reino das Águas Claras, em Pindamonhangaba, e os 47 km da ferrovia, mas o trecho obrigatório de operação vai desde a estação Emílio Ribas, em Vila Capivari, até a estação Eugênio Lefévre, em Santo Antônio do Pinhal. Já a reativação até Pindamonhangaba ficará a cargo da concessionária em um segundo momento. A Maria-fumaça também deverá voltar aos trilhos.
Dois percursos serão criados: o turístico curto, com embarque e desembarque inclusive durante o passeio (quando a EFCJ estava operante, o embarque e desembarque ocorria somente em Vila Capivari), e o turístico médio, com viagem até Santo Antônio do Pinhal. O primeiro trajeto deverá ser entregue no terceiro ano de concessão e o segundo, a partir do quinto ano.
O projeto prevê ainda o restauro do bonde, da locomotiva a vapor, vagões e automotrizes, substituição da fiação aérea com novas subestações de energia, reforma do pátio ferroviário e a construção de duas novas estações no portal de Campos do Jordão e em Vila Jaguaribe.
A preservação dos bens tombados, como a Parada Damas, em Capivari, e a central administrativa, em Pindamonhangaba, também é obrigatória.
A concessão permite ainda a exploração de novos negócios ao longo da ferrovia, como hotéis, pousadas, cafeterias, empreendimentos imobiliários e novas malhas ferroviárias conectando hotéis com atrações turísticas. A empresa que vencer a concorrência vai assumir todo o complexo por 24 anos com o compromisso de impulsionar o turismo preservando as características históricas e culturais da EFCJ. O investimento previsto é de R$ 403,5 milhões, sendo R$ 17 milhões anuais na operação.
O conteúdo do projeto foi apresentado em Campos do Jordão durante audiência pública realizada na Câmara Municipal, em maio de 2025, com ampla participação da população e de turistas. O diretor da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), Edgar Benozatti, e a advogada da CPP, Maria Laura Felix de Souza, representaram o Governo de São Paulo no evento.
A licitação
A assinatura do decreto pelo governador autorizando a licitação é o passo que antecede a publicação do edital contendo as regras para a concessão pública da ferrovia que se confunde com a história de Campos do Jordão. “A previsão é que o leilão ocorra entre o final de março e o começo de abril”, disse o prefeito Carlos Eduardo (Caê).
Inaugurada em 1914 para transportar pacientes tuberculosos que buscavam a cura em Campos do Jordão, a EFCJ passou a ser utilizada para fins turísticos a partir da década de 1970. Em 2012, após um acidente fatal no trecho de serra, a ferrovia entrou em decadência e atualmente está inoperante, incluindo o bondinho e a Maria-fumaça, que faziam os passeios turísticos no trecho urbano de Campos do Jordão.
“É um marco muito importante para o desenvolvimento da cidade e da Serra da Mantiqueira a Estrada de Ferro voltar a funcionar, principalmente a rota até Santo Antônio do Pinhal, podendo futuramente estender até Pinda. Isso desenvolve o turismo regional, é algo esperado há anos e todos só têm a ganhar”, comemorou o prefeito Caê.






















