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sábado 7 março 2026
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Governo de SP autoriza licitação da Estrada de Ferro Campos do Jordão

Governo de SP autoriza licitação da Estrada de Ferro Campos do Jordão

Decreto assinado pelo governador Tarcísio de Freitas abre caminho para a concessão pública da ferrovia centenária; “É um marco”, comemorou o prefeito Caê

Foi dada a largada para a concorrência pública que vai conceder a Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ) à iniciativa privada. O governador Tarcísio de Freitas deu o pontapé inicial nesta segunda-feira, 12, ao assinar o decreto autorizando a abertura da licitação. “É mais um importante passo neste programa ferroviário, neste programa de investimentos do Estado de São Paulo”, disse o governador em vídeo publicado nas redes sociais.

O projeto de concessão

A intenção do Governo de São Paulo é conceder a infraestrutura turística da EFCJ, incluindo o Museu de Memória Ferroviária localizado no Parque Capivari, o Parque Reino das Águas Claras, em Pindamonhangaba, e os 47 km da ferrovia, mas o trecho obrigatório de operação vai desde a estação Emílio Ribas, em Vila Capivari, até a estação Eugênio Lefévre, em Santo Antônio do Pinhal. Já a reativação até Pindamonhangaba ficará a cargo da concessionária em um segundo momento. A Maria-fumaça também deverá voltar aos trilhos.

Dois percursos serão criados: o turístico curto, com embarque e desembarque inclusive durante o passeio (quando a EFCJ estava operante, o embarque e desembarque ocorria somente em Vila Capivari), e o turístico médio, com viagem até Santo Antônio do Pinhal. O primeiro trajeto deverá ser entregue no terceiro ano de concessão e o segundo, a partir do quinto ano.

O projeto prevê ainda o restauro do bonde, da locomotiva a vapor, vagões e automotrizes, substituição da fiação aérea com novas subestações de energia, reforma do pátio ferroviário e a construção de duas novas estações no portal de Campos do Jordão e em Vila Jaguaribe.

A preservação dos bens tombados, como a Parada Damas, em Capivari, e a central administrativa, em Pindamonhangaba, também é obrigatória.

A concessão permite ainda a exploração de novos negócios ao longo da ferrovia, como hotéis, pousadas, cafeterias, empreendimentos imobiliários e novas malhas ferroviárias conectando hotéis com atrações turísticas. A empresa que vencer a concorrência vai assumir todo o complexo por 24 anos com o compromisso de impulsionar o turismo preservando as características históricas e culturais da EFCJ. O investimento previsto é de R$ 403,5 milhões, sendo R$ 17 milhões anuais na operação.

O conteúdo do projeto foi apresentado em Campos do Jordão durante audiência pública realizada na Câmara Municipal, em maio de 2025, com ampla participação da população e de turistas. O diretor da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), Edgar Benozatti, e a advogada da CPP, Maria Laura Felix de Souza, representaram o Governo de São Paulo no evento.

A licitação

A assinatura do decreto pelo governador autorizando a licitação é o passo que antecede a publicação do edital contendo as regras para a concessão pública da ferrovia que se confunde com a história de Campos do Jordão. “A previsão é que o leilão ocorra entre o final de março e o começo de abril”, disse o prefeito Carlos Eduardo (Caê).

Inaugurada em 1914 para transportar pacientes tuberculosos que buscavam a cura em Campos do Jordão, a EFCJ passou a ser utilizada para fins turísticos a partir da década de 1970. Em 2012, após um acidente fatal no trecho de serra, a ferrovia entrou em decadência e atualmente está inoperante, incluindo o bondinho e a Maria-fumaça, que faziam os passeios turísticos no trecho urbano de Campos do Jordão.

“É um marco muito importante para o desenvolvimento da cidade e da Serra da Mantiqueira a Estrada de Ferro voltar a funcionar, principalmente a rota até Santo Antônio do Pinhal, podendo futuramente estender até Pinda. Isso desenvolve o turismo regional, é algo esperado há anos e todos só têm a ganhar”, comemorou o prefeito Caê.