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sábado 7 março 2026
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Giramundo – Primavera de sonhos e amarelos inesquecíveis

Por entre as veredas do Brasil, quando setembro desponta no calendário e o vento sopra mais leve, é como se a terra despertasse de um longo cochilo. A primavera chega sem alarde, mas com força de quem carrega promessas. E, entre todas as suas cores, há um amarelo que salta aos olhos, o dos ipês, que rasgam o cinza das cidades e tingem de sonho o olhar do passante.
É uma primavera de sonhos e amarelos inesquecíveis, desses que não se explicam com palavras, só com suspiros. Os ipês florescem como se anunciassem, com sua exuberância breve, que a vida está sempre recomeçando, mesmo quando tudo parece seco por dentro. Eles são como cartas escritas pela natureza ao coração de cada um, dizendo: “Não desista, há beleza mesmo depois da seca.”
Nesse tempo, abelhas trabalham em sinfonia com beija-flores. Vão de flor em flor, polinizando a esperança, alimentando o ciclo sagrado da vida. Não fazem alarde, mas garantem o alimento, o mel, os frutos. Sua dança aérea entre as flores é um poema silencioso sobre equilíbrio, coletividade e sobrevivência.

Logo, as crias saem dos ninhos, emplumadas de vida e novidade. O céu se enche de vôos titubeantes, de primeiros pousos e descobertas. É como se o mundo inteiro respirasse mais fundo. A mãe natureza, essa senhora que sabe de tudo, abre as portas do sertão, dos campos, das florestas e dos quintais. A vida renasce em cada broto, em cada canto de sabiá.

É nessa estação das flores que o Brasil parece lembrar-se de si mesmo. De sua alma rural, de sua memória viva nos pequenos gestos, na fruta madura colhida no pé, no cheiro de terra molhada, no café passado em um coador de pano para receber a visita da manhã.

A primavera não é só uma estação. É um estado de esperança. Um convite ao reencantamento com o mundo. Que saibamos, então, florescer com ela. E que os amarelos inesquecíveis dos ipês continuem nos lembrando que a beleza é sempre possível, mesmo quando tudo parece desbotado.

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por Oswaldo Macedo