“A amizade é um amor que nunca morre.” — Mário Quintana
Há amigos que se vão e, no entanto, permanecem. Permanecem no riso que ainda ecoa nos encontros, no jeito como dobram os braços ou na lembrança exata do cheiro de um feijão de forno bem temperado. Há pessoas que não partem. Simplesmente se espalham entre os que ficam. Pedro Máximo da Silva é dessas presenças.
Professor por vocação, amigo por natureza, Pedro construiu pontes afetivas por onde andou — dentro e fora da escola. Era desses mestres que ensinavam até no silêncio, que sabiam escutar com olhos de quem acolhe, e que transformavam uma conversa trivial em momento de formação humana. Não à toa, foi querido por seus alunos, que se tornaram amigos, e por seus colegas de jornada, que viram nele mais que um companheiro de trabalho: viram um irmão de alma.
Pedro não se contentava com a teoria da empatia. Ele a praticava. Nas suas idas e vindas pela vida, sempre carregava um pouco de Minas no paladar e no coração: o pão de queijo quentinho, o feijão de forno de lamber os beiços, e uma generosidade que temperava tudo com afeto. Não havia visita em que não oferecesse um quitute, um sorriso e, claro, um causo bem contado.
Era brincalhão como um bom cunhense, mas sério naquilo que importava: ética, amizade, respeito. Jamais usou de sua leveza como desculpa para fugir da profundidade. Encarava as dores do mundo com coragem, e mesmo quando o corpo já sentia o peso de uma longa batalha — foram 37 anos após um transplante renal —, sua alma permanecia firme, doída, mas inteira.
No dia 3 de julho de 2025, Pedro nos deixou, um dia depois de completar seus 74 anos. Mas será mesmo que partiu? Ou será que continua ali, no olhar de um amigo que o conheceu, no riso compartilhado em mesa de café, no aluno que aprendeu com ele a ser mais gente?
Em cada reencontro com aquele que consideramos irmão de alma, sentimos Pedro sentado ao nosso lado, nos ouvindo com aquela atenção que poucos dominam. É nesses momentos que a saudade vira presença. Que a ausência se transforma em lembrança viva.
Pedro lutou. E não foi pouco. Lutou contra as dores, contra os diagnósticos, contra o tempo que teimava em levar os mais especiais. Mas, sobretudo, lutou pelo outro: pelos seus alunos, pelos seus amigos, pelas causas justas. Lutou com ternura — a mais rara das formas de resistência.
Agora, é nossa vez de continuar aplaudindo a vida que ele semeou. Que ela floresça em cada conversa entre amigos, em cada prato preparado com carinho, em cada abraço verdadeiro. Porque Pedro não se foi: ele se multiplicou em cada um de nós.
(Oswaldo de C. Macedo)






















