Cunha, conhecida por suas belezas naturais e eventos culturais, enfrenta um desafio crescente que preocupa moradores, comerciantes e turistas: a chamada “indústria da multa”. Nos últimos meses, a cidade tem se tornado palco de uma rigorosa fiscalização de trânsito que, segundo relatos, penaliza severamente visitantes e cidadãos residentes, especialmente durante eventos tradicionais como o Festival de Inverno e a Festa do Divino.
A questão que se impõe é simples, mas urgente: será que essa estratégia de aplicar multas de forma massiva contribui para o fortalecimento da economia local? Ou, pelo contrário, afasta os turistas e prejudica o comércio, minando o potencial turístico de Cunha?
Durante conversas com comerciantes e visitantes, foram relatados inúmeros casos de multas aplicadas a motoristas que, em muitos casos, estavam apenas parados em áreas de carga e descarga, tentando realizar suas atividades comerciais. A sensação generalizada é de que a fiscalização tem atuado de forma inflexível, deixando de lado a compreensão das particularidades locais.
Além disso, denúncias apontam para uma suposta desigualdade no tratamento dado aos infratores. Enquanto alguns recebem avisos para retirarem seus veículos, outros são multados imediatamente, levantando dúvidas sobre a isonomia na aplicação das regras.
A regulamentação do trânsito no centro da cidade é, sem dúvida, necessária para garantir a segurança e o ordenamento urbano. Contudo, o que se percebe é que gestões anteriores e a atual têm falhado em implementar soluções eficazes e que conciliem o desenvolvimento do turismo com a necessidade de organização do tráfego.
O impacto dessa “indústria da multa” vai além do aspecto financeiro: cria um clima de insegurança e desconfiança, que pode levar o turista a optar por destinos concorrentes, com acesso mais tranquilo e acolhedor.
O prefeito de Cunha tem diante de si o desafio de reverter essa situação, buscando diálogo com a população, comerciantes e órgãos de fiscalização para construir um trânsito mais justo e eficiente. Incentivar a circulação consciente, com menos veículos estacionados por longos períodos, e ampliar as vagas disponíveis podem ser medidas importantes para evitar o colapso da região central.
Enquanto isso não acontece, quem perde é toda a cidade — dos lojistas aos visitantes, e principalmente a imagem de Cunha como destino turístico acolhedor e vibrante.
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por Oswaldo Macedo






















