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sábado 7 março 2026
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Giramundo – Córrego Lava-pés em Cunha: o passado e o futuro entrelaçados nas águas de um córrego

O Brasil é um país repleto de histórias ricas e locais pitorescos que muitas vezes passam despercebidos por aqueles que estão fora de seu perímetro. Um desses lugares encantadores é o bairro de Lava-pés, localizado na cidade de Cunha, estado de São Paulo. Este bairro não é apenas um ponto no mapa, mas sim um testemunho vivo da história e da evolução cultural dessa região.
No coração de Lava-pés, encontra-se o córrego de mesmo nome, nascido nas proximidades do asilo São Vicente, logo atrás da respeitável Santa Casa de Cunha. Esse córrego sinuoso segue seu caminho em direção ao Rio das Pedras, carregando consigo a essência da cidade e de seu povo.

Um dos aspectos mais fascinantes da história de Lava-pés é a ponte de madeira que atravessa o córrego, localizada na altura do antigo Matadouro, agora conhecido como Casa do Artesão. Essa ponte não era apenas um meio de passagem; ela representava uma ligação direta entre o passado e o presente da comunidade.
Nos dias de festa, essa modesta estrutura de madeira se transformava em um local de encontro e celebração. Os habitantes da zona rural que vinham a pé para a cidade encontravam na ponte do Lava-pés uma maneira única de lavar os pés cansados, refrescando-se nas águas cristalinas do córrego antes de seguir em direção à Praça da Matriz, onde as festividades aguardavam.

Esse simples gesto de lavar os pés simbolizava a hospitalidade e a simplicidade que caracterizam a comunidade cunhense. Era uma tradição que transcendia o tempo e conectava as gerações, mostrando que as raízes de uma cidade podem ser mantidas vivas através de gestos aparentemente simples.

Outro aspecto interessante da história de Lava-pés era a presença constante de crianças que se reuniam para brincar de carrinhos de rolimã nas ruas íngremes do bairro. Ao atingirem a descida em direção ao córrego, era comum que alguns deles perdessem o controle e caíssem nas águas do Lava-pés. Essas travessuras, embora ocasionalmente molhadas, faziam parte da infância de muitos moradores e contribuíam para a rica tapeçaria de memórias do bairro.
Além disso, a história de Lava-pés também é marcada por um ponto de virada significativo. Em 1975, o local onde um dia funcionou o Matadouro viu a chegada do primeiro grupo de ceramistas que construíram o primeiro forno noborigama na região. Hoje, Cunha lidera a produção brasileira de cerâmicas de alta temperatura feitas nesse tipo de forno. Esse marco mostra como a tradição e a inovação podem coexistir, permitindo que uma comunidade preserve seu passado enquanto abraça o futuro.

Em suma, Lava-pés em Cunha é mais do que apenas um bairro – é um tesouro de histórias, tradições e realizações. As águas calmas do córrego Lava-pés testemunharam o passado e o presente dessa comunidade encantadora, onde a simplicidade se entrelaça com a criatividade para criar uma experiência verdadeiramente única. É um lugar que nos lembra da importância de honrar nossas raízes enquanto olhamos para o horizonte de possibilidades que o futuro oferece.

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por Oswaldo Macedoprofessor e fotógrafo