O coração humano deve ser escutado. No íntimo de cada pessoa brota uma pergunta profunda: o que é o desejo? O que desejais profundamente e verdadeiramente? São perguntas aparentemente simples porém a realidade é outra.
Cada pessoa deve ser um intérprete do próprio coração. Quais são seus verdadeiros sonhos? Responder a essas e outras perguntas exigem reentrar em sim e revisitar o próprio coração.
Revistar seu espaço vital, procurar o que te move, o que está no seu íntimo. São Bernardo de Claraval dizia: “ Encosta os lábios à fonte do coração e bebe”.
A vida em seu dinamismo tem que ter coração. Somos no íntimo um mistério e guardamos em nosso coração tesouros dos quais muitas vezes desconhecemos. Um grande tesouro é o nosso próprio coração. M. Gandhi disse: “ Um homem vale quanto vale o seu coração”.
Um coração que possui esperança, sonhos possíveis, pelo bem, pela verdade. No coração temos as motivações profundas. O coração deve ser fecundo de forma criativa, deve florir e se doar. O que está além da mera sobrevivência.
O coração não é apenas sentimentos, porém pensamentos e decisões. Olhar o próprio coração significa vislumbrar as escolhas fundamentais da vida; as consequências das escolhas mais profundas.
Quase sempre perscrutar o inconsciente não é fácil, muitas motivações do nosso comportamento escapam a nós próprios. Trata-se de uma empreitada de compreendermos a nós mesmos e os outros, e de lidar com a vida. É nos permitir encontrar uma leitura adequada de nossa vida. Buscar respostas livres e amadurecidas. É potencializar o coração e desconfiná-lo.
A vida deve ser rica daquilo que cultivamos no coração e depois doamos. Vivemos numa cultura que diariamente nos bombardeia com imagens e palavras e poucas vezes paramos para nos escutar de forma mais atenta e profunda. Escutar o coração implica reflexão. Escutar com o ouvido do coração, implica perceber que valores estamos vivendo. Uma reflexão do coração e mente conjuntamente. Escutar o coração exige o empenho de toda a interioridade. Escutar o coração pode trazer a tona conflitos interiores, porém também esperança e paz.
O coração pode ser renovado através da maneira como escutamos. Escutar o coração implica reconhecer e aceitar nossas limitações e fragilidades. O que significa aceitar também os reveses que a vida nos impõe. As pessoas se escutam muito pouco. É preciso recuperar a força do coração abrindo-se aos valores essenciais e profundos da vida. Escutar o coração é dar um passo a reconstrução. Devemos peregrinar até nosso coração . Ter um coração resiliente que não desista com facilidade. Reentrar no coração permite percebermos que devemos separar o sentido que a vida tem para nós do sentido da vida segundo aquilo que fazemos. Vivemos uma época de corações acomodados, porém precisamos de corações inquietos.
Prof. Dr. José Pereira da Silva























