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sábado 7 março 2026
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Fé e Razão – Escutar as dimensões feridas da existência: a busca do autêntico e profundo de nós

As dores humanas são muitas e a forma de senti-las também. Há no ser humano, em seu eu interior feridas, crises, sentimentos feridos, fracassos, traumas entre outros. Situações que exigem acolhimento, integração e escuta criativa. Existe uma armadilha de se achar que muitas das dores se resolvem sozinhas e com o tempo.

A sociedade tem muitos estilos de vida que adoecem, perdeu-se em muitas situações o humano, para o outro, para a vida interior, para o transcendente. As relações humanas se tornaram superficial , tornando as pessoas insensíveis, ausentes. Existe uma dor que nasce da perda dos vínculos humanos. A experiência que desumaniza e faz a existência vazia. Superar uma vida distorcida e raquítica.Na interação com os outros a pessoa se torna humana.

As feridas, crises, fracassos podem nos fazer próximos dos outros e de nós mesmos. Os outros são nossos espelhos e tem ressonância em nosso interior. O que realmente querem as pessoas além da autoimagem e funções?

Cada pessoa precisa romper seus próprios isolamentos e curar suas feridas da existência. Muitas vezes ás feridas que precisam ser curadas não são percebidas, pois estamos presos na superficialidade da vida; outras vezes estão escondidas no profundo do ser. Mesmo quando são esquecidas continuam ali esperando serem cuidadas.
As dores da vida são uma escola de vida, pois podem nos conduzir ao centro de nosso ser.

Permite tomarmos consciência de uma dimensão profunda de nós mesmos, e ajuda a superar o que se vive. Superar atitudes egocentradas e atitudes que desumanizam. É fundamental que sejamos audíveis para as dores que habitam o íntimo humano. A escuta é canal de renovação. Devemos nos escutar em busca do autêntico e profunda em nós.

Escutar a dimensão profunda de nossa vida pessoal. Escutar-se a partir da interioridade.
A escuta de verdade é abertura a palavra nova do outro. Escutar o autêntico e profundo de nós. Escutar nosso silêncio para dialogar com nosso eu profundo. Escutar para ir ao encontro de nossa verdade íntima. A escuta autêntica proporciona um lugar ao outro. Distinguir entre tantas vozes a nossa voz verdadeira. Escutar implica sintonia com a realidade.

Escutar implica ouvir nosso silêncio e poder conversar com o nosso eu profundo, auscultar nossos sentimentos, atitudes, comportamento, enfim a nossa vida. Escutar exige tentar atingir o coração de nossa verdade mais profunda para além de uma visão míope.

Uma escuta interior de qualidade e acolhimento. É preciso dar-nos tempo com paciência! Essa escuta é sempre um ato de amor para conosco e para com o outro, é esvaziar-se de certas ideias. Escutar dessa forma ajuda na cura de conflitos e tensões. Escutar é um desafio diante do barulho do mundo moderno e da monofobia (dependência exagerada das redes sociais). A escuta atenta e qualificada ajuda a sair da normose, ou seja, da normalidade doentia. Sempre existe brasas debaixo das cinzas.

A escuta exige que olhemos para nós mesmos e façamos as perguntas necessárias, sair da inércia e dá espaço ao agir com criatividade.

Escutar os grandes silêncios da vida: fracassos, crises, perdas… para que algo de novo germine. Descer no profundo de nós e sentir aquilo que no nível afetivo, corporal, espiritual precisa ser revitalizado.

Muitas vezes ás pessoas consciente ou inconscientemente não querem se escutar, como mecanismo de defesa para evitar a dor e a ferida. Uma forma de preservar o narcisismo e a autoimagem. Criamos uma falsa ideia de perfeição. Procura-se meios de aliviar o íntimo mal-estar. Cria-se uma insensibilidade em relação a si mesmo e aos outros. É preciso olhar seu próprio interior e se escutar sem simulacros. É necessário sentir o que somos realmente.

Escutar-se e curar feridas existenciais exige ter consciência progressiva de nós mesmos, nos conectar com aquilo que é nossa identidade, originalidade e singularidade o que requer muita lucidez e paciência. Escutar de forma atenta nossos dinamismos mais profundos. Temos muitos recursos essenciais em nosso interior. Retomar a nossa fonte interior. Tomar consciência lúcida de quem somos. Tudo isso é uma tarefa fundamental!

Prof. José Pereira da Silva