Toda pessoa mesmo no frenesi do cotidiano precisa de uma pausa para se compreender. Precisa dar um tempo para articular aquilo que na pressa não é percebido. O frenesi que gera muitas vezes um adoecimento do psíquico e muitas vezes da própria subjetividade. A pessoa não se dá a palavra e não se escuta. É necessário criar um espaço na própria vida para a escuta atenta de suas urgências existenciais. Na pressa dos afazeres do cotidiano acontece fragmentações da vida que precisa ser recompostas e articuladas na busca de significação.
Construir uma subjetividade numa nova perspectiva, dando a ela integralidade e singularidade. É compreender os sofrimentos e seu mal estar subjetivo. É tocar o real vivido pela pessoa em meio a simulacros. A pessoa precisa dar-se tempo para entender e construir respostas possíveis.
Cada pessoa precisa se permitir compreender seu mundo interno com tudo que ele comporta: seus sentimentos, experiências e desejos. Geralmente ás pessoas tem um conhecimento objetivo de sua realidade existencial, porém nem sempre tem de sua realidade interna de uma forma mais profunda.
Essa internalização ajuda muito no autoconhecimento. O contato com as experiências pessoais produz frutos de autoconhecimento. É preciso levar a vida psíquica e emocional a sério.
A experiência de perscrutar o mundo interno pode levar a descobrir um “eu desconhecido”. Não é só o mundo exterior que precisa ser construído, o mundo interno preciso de um processo de criação. Temos aqui a importância da interiorização. É preciso um conhecimento profundo de si próprio: sonhos, sentimentos, impulsos, fantasias etc.
Trata-se de ouvir o seu interior e encontrar sua singularidade. Importante pois o homem contemporâneo vive a maior parte do tempo dividido internamente.
Carl G. Jung (1875-1961) já afirmava que o homem conhece-se a si próprio de forma limitada. O autoconhecimento leva a pessoa a tomar consciência de si própria ou vice-versa. É uma trajetória de conhecer o seu ser verdadeiro e real. Uma tomada de consciência paulatina da riqueza interior infinita. É ver por dentro e descobrir o seu eu.
Um processo de por para fora tudo o que for possível e de forma coerente organizar o caos que sente por dentro. É descobrir mecanismos inconscientes e áreas profundas e obscuras de si próprio. Significa também ir de encontro a própria humanidade, pois ninguém pode desprezar a própria humanidade. O inconsciente habita em cada um de nós e condiciona muitas experiências. Um trabalho de adentrar ao psiquismo profundo. Exige também educar-se para o silêncio e quietude. É um conhecimento silencioso que advém da compreensão.
Adquirir um autoconhecimento vivo e dinâmico para se dar o justo valor às coisas internas e externas.
Todo o processo de autoconhecimento implica e leva a uma gestão interior, ou seja, do próprio ser. Santa Teresa de Ávila (1515-1582) dizia: “ Nunca nos conhecemos”. És o desafio o de nos conhecer melhor e de forma mais profunda. Desvelamento das camadas mais profundas do ser. Encontrar o fio de Ariadne. Num mundo agitado, tecnológico e disperso é um desafio a concentração e recolhimento no interior de si mesmo. É preciso ter uma sensibilidade para valorizar o interior. O exterior sem o interior, perde a consistência. Ambos precisam de harmonização, equilíbrio e unidade.
Prof. José Pereira da Silva






















