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segunda-feira 9 março 2026
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Fé e Razão – As preciosidades do cotidiano: o valor infinito das pequenas coisas

A vida cotidiana é cheia de pequenas coisas que rememoram e comunicam uma realidade diferente delas.
É como ver por dentro o que outras pessoas apenas vê o exterior. O olhar amoroso e bondoso faz as coisas simples algo precioso e sem preço. Esse olhar dá significado ás coisas, lhe confere sentido e beleza. Com amor tudo adquire significado. Santa Madre Teresa de Calcutá ( 1910-1997) dizia: “ O importante não é o que dá, mas o amor com que se dá”.

Essas pequenas coisas são significativas, que nos remete a algo além da materialidade por exemplo de um objeto. O cotidiano é via de acesso para as estruturas inconscientes que organizam nossa subjetividade.
A vida é um livro. Nem todos sabem fazer uma leitura da vida. Nem todos sabem ouvir, perceber , sentir os fatos, os desejos, os sonhos de cada momento. Nem todos sabem ler o livro dentro de nós, ler o livro da vida fora de nós. Esse livro todos podem e devem ler. É o livro da verdadeira sabedoria. É fundamental para ler esse livro o silêncio interior para a descoberta do que existe dentro de nós.

O que existe dentro de nós se revelam aos poucos, quando clareamos os olhos e buscamos o essencial dentro de nós mesmos. Irá encontrar a realidade que consiste em potencialidades, defeitos e limitações.

Viver por um projeto, uma causa, uma missão, um ideal, é oque imprime sentido à vida. E uma vida plena de sentido é o que nos imprime felicidade, ainda que afetada por dores e sofrimentos. As coisas mais importantes da vida construímos no dia a dia. Problemas, sofrimentos e lutas sempre existirão, o importante é saber o sentido de tudo isto.

A vida é feita de pequenas coisas tanto na alegria como na tristeza. Resgatar o valor das pequenas coisas realizadas fielmente e com amor. É conhecer o valor infinito das pequenas coisas.
É perceber que muitas vezes nas pequenas e simples coisas do cotidiano escondem felicidades, é preciso saber perceber. Como nos lembra a poesia Ode à felicidade, de Cecília Meireles (1901-1964). É importante recriar a vida através do cotidiano. A aceitação da rotina simples porém essencial.

O poeta Mário Quintana (1906-1994) abordava o tempo dentro do cotidiano simples, como no poema O tempo: “Quando se vê , já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, passaram 60 anos! E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas”.

O valor dos sentimentos, da ternura, da delicadeza, a grandeza está precisamente na simplicidade, na fidelidade, na doçura das pequenas coisas. Precisamos em relação ao cotidiano sermos restauradores daquilo que é precioso. Ter a confiança de poder voltar a juntar inclusive os pedaços mais estragados e que aparentemente pensamos que não servem. Para restaurar é preciso atenção completa e minuciosa.

Cada pessoa tem fendas interiores; mas a luz entra precisamente por elas. É preciso experimentar as pequenas coisas do cotidiano e dar valor a elas, pois muitas vezes não se dá.

Prof. José Pereira da Silva