Agonistas de GLP-1 e GIP auxiliam na prevenção de sintomas à saúde feminina, redução de gordura visceral e sistema metabólico
O uso de agonistas de GLP-1 e GIP, popularmente conhecidas por canetinhas emagrecedoras, ganhou força nos últimos 6 anos na ciência, tornando-se uma inovação segura e eficaz para a redução de peso e o controle de doenças metabólicas. Entre as opções disponíveis no mercado estão a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida. No Brasil, o lançamento do Olire, primeira versão nacional da liraglutida, produzido pela EMS, trouxe uma alternativa com custo até 20% menor em comparação aos medicamentos importados, ampliando o acesso e incentivando o tratamento de casos como resistência insulínica, diabetes e obesidade.
O que muitos têm se questionado é se as canetas nacionais têm eficácia. A semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, é aplicada semanalmente e pode gerar perda de 10% a 20% do peso corporal em cerca de 68 semanas. Já a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, combina ação nos receptores GLP-1 e GIP, permitindo resultados ainda mais expressivos, com reduções que podem chegar a 22 quilos e rápida diminuição da circunferência abdominal.
A liraglutida, utilizada no Olire, exige aplicação diária e, em geral, proporciona perda de 5% a 10% do peso.
A Dra. Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia pela USP e metabologista, comenta que todos os tratamentos, a despeito de suas particularidades demonstradas em estudos científicos, representam uma grande evolução para a medicina. “A prescrição dos tratamentos levará em consideração não somente a avaliação individual das necessidades metabólicas do paciente, mas também as possibilidades para investimento. E temos descoberto muitos outros benefícios com os análogos de GLP-1 e GIP, ampliando as aplicações para prevenção de outras doenças, bem como para auxiliar no período da menopausa, que atinge cerca de 30 milhões das brasileiras entre 45 e 59 anos”, ressalta a especialista.
Ela explica que, nessa fase da mulher, a queda dos níveis de estrogênio provoca desaceleração do metabolismo, favorece o acúmulo de gordura visceral e reduz a massa muscular, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e inflamações crônicas. Estudos apontam que até 60% das mulheres no climatério e na menopausa desenvolvem obesidade abdominal, um tipo de acúmulo de gordura que se concentra na região da cintura e que está diretamente ligado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas, resistência insulínica, diabetes tipo 2 e inflamações crônicas.
“A gordura abdominal é muito mais perigosa do que o acúmulo de gordura em outras partes do corpo, pois está associada a um aumento do risco de doenças metabólicas e cardíacas. Na menopausa, a queda nos níveis de estrogênio favorece o depósito de gordura nessa região, e, por isso, muitas mulheres percebem uma mudança no formato do corpo mesmo sem alterar hábitos alimentares. É um processo biológico, mas que pode e deve ser controlado com acompanhamento médico, mudanças de estilo de vida e, em alguns casos, uso de medicamentos como as canetas injetáveis, que auxiliam no controle do apetite, melhoram a sensibilidade à insulina e contribuem para a redução da gordura visceral”, afirma a Dra. Elaine.
De acordo com diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o uso de agonistas de GLP-1 e GIP pode ser indicado para mulheres nessa faixa etária que apresentem obesidade ou comorbidades associadas. Outras pesquisas recentes indicam que, além da perda de peso, esses medicamentos contribuem para melhorar o controle da pressão arterial, reduzir a glicemia de jejum e diminuir marcadores inflamatórios.
A médica ainda explica que o tratamento deve ser integrado. “Com a menopausa, o metabolismo desacelera, há ganho de gordura abdominal e queda da massa muscular. Nesse contexto, as canetas emagrecedoras são aliadas, mas precisam estar associadas a suporte nutricional, musculação, suplementação com proteína, vitamina D e nutrientes essenciais, além de estratégias de reeducação alimentar para evitar o efeito sanfona e preservar a massa magra”.
Vale ressaltar que a perda de massa muscular é um risco real durante o tratamento, podendo representar até 40% do peso perdido se não houver acompanhamento adequado. A recomendação para mulheres é consumir de 1,2 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso, manter exercícios resistidos e realizar monitoramentos periódicos, como densitometria óssea e avaliação da composição corporal.
O Olire, novo medicamento produzido no Brasil, deve alcançar ampla distribuição até 2026, com estimativa de 500 mil unidades comercializadas, tornando o tratamento mais acessível. No entanto, a Dra. Elaine reforça que nenhuma dessas canetas deve ser vista como solução isolada. Elas funcionam melhor quando inseridas em um plano abrangente que inclua mudanças de hábitos, prática regular de exercícios e acompanhamento multidisciplinar. “Quando conseguimos reduzir a gordura abdominal e preservar a massa magra, damos às mulheres mais qualidade de vida e autonomia para atravessar essa fase com equilíbrio e confiança”, afirma.






















