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sábado 7 março 2026
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Comunicação 360 – Foco no defeito

O mundo está cheio de gente obcecada pelos próprios pontos fracos. Em vez de identificar e desenvolver ainda mais aquilo que já faz bem, a pessoa concentra quase toda a sua energia tentando “corrigir” tudo o que não domina.
O problema é que essa lógica, embora soe madura à primeira vista, nem sempre é estratégica. Em muitos casos, ela vira apenas um jeito sofisticado de dar murro em ponta de faca. Você se esforça, se cobra, se desgasta… e o resultado continua mediano.

Vejo isso com frequência nas minhas consultorias de gestão de marca pessoal. Profissionais extremamente competentes em determinadas frentes, com talentos claros e diferenciais evidentes, mas que insistem em investir tempo tentando transformar fragilidades em grandes virtudes, quando poderiam estar burilando aquilo que já os destaca.

Não me entenda mal: existem pontos fracos que precisam, sim, ser desenvolvidos. Especialmente quando eles atrapalham objetivos claros de carreira ou dificultam entregas básicas do seu trabalho. Mas isso é bem diferente de achar que todo ponto fraco precisa virar ponto forte.

Na prática, marcas pessoais fortes raramente são construídas pela soma de competências medianas. Elas se tornam reconhecíveis porque têm algo muito bem definido, muito bem lapidado, quase incontornável. Algo que salta aos olhos e organiza a percepção que o outro tem sobre aquela pessoa.

Eu sempre gostei de escrever e tenho um olhar minucioso. Sou ótima para ver coisas que ninguém vê, criar estratégias, fortalecer laços com clientes. Estes são alguns dos meus pontos fortes. E estou sempre buscando aprimorá-los.

Por outro lado, apesar de amar as relações humanas, sou introvertida. Não sou exatamente a pessoa que fica confortável em meio à multidão. É um ponto fraco, especialmente para alguém da área da comunicação. Mas isso é parte de mim. E como vivo num mundo que valoriza os extrovertidos, busco formas de me adaptar. Me esforço. Mas não tenho a pretensão de investir todo o meu tempo e minha energia para me transformar na pessoa mais extrovertida do universo. A extroversão simplesmente não ocupa o centro da minha identidade profissional.

Costumo dizer que é injusto e pouco estratégico olharmos para nós mesmos apenas pelo que nos falta, sem hierarquizar a importância dessas habilidades para a nossa marca.
Evoluir não significa ser bom em tudo. Evoluir, muitas vezes, é escolher onde colocar foco, tempo e energia (e aceitar que nem tudo precisa ser brilhante).

Talvez a pergunta mais honesta não seja “no que eu sou ruim?”, mas sim: o que em mim, se for desenvolvido ao máximo, pode me tornar realmente memorável?

Menos obsessão pelos defeitos. Mais estratégia na construção de forças. É assim que a marca pessoal deixa de ser genérica e passa a ser relevante de verdade.

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por Cris Veronez
crisveronez.lima@gmail.com