Toda vez que você comunica, está contando ao seu interlocutor algo sobre quem você é (mesmo quando não está falando diretamente sobre si).
E sabe por quê? Porque, independentemente do assunto, as palavras escolhidas, o tom adotado e as opiniões que você sustenta revelam muito sobre a sua forma de pensar, de interpretar o mundo e de se posicionar nele.
Quando a gente entende isso, começa a compreender a importância de ser mais intencional com a própria comunicação. Não para soar artificial, mas para alinhar discurso e comportamento à imagem que desejamos construir. Afinal, o outro só pode interpretar aquilo que é colocado à sua frente.
Vou dar um exemplo simples, do cotidiano.
No fim do ano, uma conhecida chamou algumas pessoas para uma festa de réveillon. Tudo parecia bem até que, por conta da correria, ela praticamente sumiu do WhatsApp nas 48 horas que antecediam a festa – justamente o período em que os convidados mais precisavam trocar mensagens para resolver questões práticas.
A intenção dela não era magoar ninguém. Mas foi exatamente isso que aconteceu. Alguns convidados desistiram de ir, se sentindo ignorados, preteridos ou desrespeitados pela falta de retorno.
Depois, ela desabafou comigo. Disse que estava sobrecarregada, com muitas coisas para resolver, e que responder mensagens naquele momento não era prioridade.
Expliquei algo simples e, muitas vezes, difícil de aceitar: o outro não sabe o que está no nosso coração. O outro não acessa nossas boas intenções. A única matéria-prima que ele tem para nos interpretar são as nossas atitudes.
Sempre defendi que boa comunicação não diz respeito apenas à carreira. Ela também está profundamente ligada à evolução pessoal.
Quando você se propõe a comunicar com mais clareza e intenção, é obrigado a refletir melhor, organizar ideias, assumir posições, revisar comportamentos e amadurecer argumentos. Você se observa mais. Ajusta rotas. Cresce.
Comunicar é um exercício constante de consciência.
A comunicação é o elo entre você e o outro. Quando usada com intenção, ela posiciona, fortalece e impulsiona. Quando negligenciada, cria ruídos, frustrações e limita caminhos.
E, gostemos ou não, o mundo sempre responde àquilo que comunicamos.
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por Cris Veronez
crisveronez.lima@gmail.com






















