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sábado 7 março 2026
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Coluna Espírita – Viva la vida, mas onde está o poder?

Coluna Espírita – Viva la vida, mas onde está o poder?

• Maria Garbini Gonçalves Gonçalves – Poá/RS
Testemunhamos hoje o reinado dos poderosos que detêm a maior parte dos recursos monetários do planeta. Eles são ambiciosos e visam acumular ainda mais riquezas, não importando o planeta, a natureza, ou as pessoas.
Todos nós conhecemos a música Viva la vida do grupo Britânico Cold Play, escrita pela própria banda. Pois bem, a letra foi inspirada nas últimas palavras do rei Luiz XVI na revolução francesa antes de ser morto na guilhotina. E o título da canção foi inspirado no quadro de mesmo nome que a artista Mexicana Frida Kahlo pintou após momentos difíceis que ela passou em sua vida. Fica a pergunta da relação do título com o conteúdo da canção. Pensemos juntos à luz do Espiritismo.
Vejamos sobre a revolução francesa em A Caminho da Luz:
O luxo desenfreado e os abusos do clero e da nobreza, em proporções espantosas, haviam ambientado todas as ideias livres e nobres dos enciclopedistas e dos filósofos, no coração torturado do povo. A situação das classes proletárias e dos lavradores caracterizava-se pela mais hedionda miséria. Os impostos aniquilavam todos os centros de produção, salientando-se que os nobres e os padres estavam isentos desses deveres. Desde 1614, não mais se haviam reunido os Estados-Gerais, fortalecendo-se, cada vez mais, o absolutismo monárquico. (1)
Realmente a história é um espiral, ela se repete, mas sempre encerrando um aprendizado à humanidade, que progride, mas lentamente.
A História relata Luiz XVI como um déspota, já na obra espírita acima citada, é relatado que o bondoso rei não conseguiu lutar contra o sistema criado pelos homens poderosos e corruptos da época. Infelizmente, o propósito real da revolução foi manchado pelas imperfeições humana, pela derramação de sangue.
Em vão, tenta Luís XVI justificar sua inocência ao povo de Paris, antes que o carrasco lhe decepasse a cabeça. As palavras mais sinceras afluem-lhe aos lábios, suplicando a atenção dos súditos, numa onda de lágrimas e de sentimentos que lhe burburilhavam no coração, não obstante a sua calma aparente. (1)
Na canção Viva La Vida, é como se fosse Luís XVI afirmando, entre outras coisas, que naquele momento em que perdeu o poder, ele varria o chão do mesmo lugar onde ele reinara, mais adiante coloca que, apesar de o matarem, não cessava de existir um mundo despido de honestidade. O seu castelo fora construído sobre pilares de areia, de sal.
Qual a conclusão de todas essas colocações nossas inspiradas por uma melodiosa música? Veja como a arte às vezes precisa falar a verdade que não queremos ver na vida real. Assim como o recente filme brasileiro “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
Pegue um rico poderoso, mas cruel e ambicioso, e tire todo o seu dinheiro, o que resta dele? Nada. Ninguém vai notá-lo ou ajudá-lo no meio onde era cercado de “amigos”. Qual o seu legado? Os inimigos, infelicidade, o inferno da consciência culpada.
Jesus nos disse Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. (JOÃO 10.10)

O nosso papel aqui é aquele que se nos tirassem todos os nossos bens, todo o nosso dinheiro, toda a nossa família, todos os nossos amigos, o que resta dentro de nós? Não vamos negar que seria um sofrimento atroz, mas a morte do corpo faz isso, e o que sobra em nós é o que somos. São as virtudes que cultivamos. Isso é a abundância de Jesus, é o real poder das realezas dos Céus. É construir nossa casa sobre a rocha, como, claro, o Mestre, nos ensina. (MT 7. 24-29) Veja que na canção o rei citado fala que seu castelo foi construído sobre areia e sal.
Esta linda canção que ouvimos até hoje, talvez seja uma mensagem do plano espiritual, não sabemos, será que a relação do título seria: Viva la vida, mas em abundância, que nem Jesus. Isso é poder.
Fonte:
(1) XAVIER, Francisco Cândido, pelo espírito Emmanuel. A Caminho da Luz. Cap. 22.