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sábado 7 março 2026
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Coluna Espírita – Onde estará meu filho que morreu?

Coluna Espírita – Onde estará meu filho que morreu?

• Rogério Miguez – São Jose dos Campos/SP
A pergunta, certamente, já foi formulada por incontáveis pais aflitos, muitos em desespero e desalentados, diante dessa ocorrência comum entre nós – a morte de um filho -, principalmente, quando alcança crianças em tenra idade.
Naturalmente, estes pais indagaram incontáveis vezes, intimamente ou ao próprio Criador: Onde estará meu filho que morreu?
O instrutor Clarêncio informa ao Espírito André Luiz:
Antigamente, na Terra, conforme a teologia clássica, supúnhamos que os inocentes, depois da morte, permaneciam recolhidos ao descanso do limbo, sem a glória do Céu e sem o tormento do inferno, e, nos últimos tempos, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino desencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto…1
Graças ao Bom Deus, a primeira opção não encontra sustentação na lógica e no bom senso, embora tenha amedrontado multidões. A proposta do limbo não se sustenta, porque aqueles que tiveram vida longa, em princípio, foram encaminhados para o Céu ou para o Inferno. Se foram para a primeira região, estão felizes e tranquilos, contudo, a alma que se retirou cedo do convívio familiar, desencarnado em tenra idade, como nada fez para merecer o Céu, para lá não foi e, no limbo, não poderá desfrutar das benesses do Céu, local em que poderão estar seus pais, parentes e amigos. Por outro lado, como também não fez o mal, livre está do Inferno, o que seria uma dádiva, porém, de igual modo, não sairá do limbo em que se encontra.
Em relação à proposta sobre a retomada imediata da personalidade adulta após a criança morrer, esta representa uma possibilidade real, pois:
[…] quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assumindo o comando mental de si mesmo, adquire o poder de facilmente desprender-se das imposições da forma, superando as dificuldades da desencarnação prematura. […]1
Entretanto, como o planeta ainda é de provas e expiações, não se espera que haja incontáveis Espíritos que tenham atingido elevada classe evolutiva, muito pelo contrário, as almas na Terra são de mediana evolução. Dessa forma, não se deve esperar que crianças recém-desencarnadas, em breve tempo, percam suas características infantis, retornando à sua natural condição de lucidez mental, uma vez que:
[….] para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo. Almas ainda encarceradas no automatismo inconsciente, acham-se relativamente longe do auto governo. Jazem conduzidas pela Natureza, à maneira das criancinhas no colo maternal.
Não sabem desatar os laços que as aprisionam aos rígidos princípios que orientam o mundo das formas e, por isso, exigem tempo para se renovarem no justo desenvolvimento. [….]1
A capacidade pessoal para desatar os laços que unem o perispírito ao corpo é tarefa para poucos.
Geralmente, dependemos de outros Espíritos mais preparados que nos ajudam a fazer o desligamento material entre o envoltório fluídico e a organização física.

Além disso, há destaque para o termo grande maioria que, em termos probabilísticos, significa algo em torno de 80%.2 Mas não há motivo para preocupação, pois mesmo permanecendo como crianças no plano espiritual, todos os Espíritos na fase infantil são recebidos com carinho e encaminhados para locais apropriados, como segue:
Aqui e ali, sob tufos de vegetação verde-clara, muitas senhoras sustentavam lindas crianças nos braços.
– É o Lar da Bênção – informou o instrutor [Clarêncio], satisfeito. – Nesta hora, muitas irmãs da Terra chegam em visita a filhinhos desencarnados. Temos aqui importante colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal.3
Vejamos como funciona o amor e o cuidado de Deus com todas as Suas criaturas, independentemente do estágio evolutivo de cada uma. Há colônias especialmente preparadas para receber os pequeninos, com substituição, provisória, das verdadeiras mães da Terra, sempre de braços abertos para providenciar encontros entre os pequenos e suas atenciosas mães. E elas podem visitá-los, por exemplo, durante o período do sono, emancipadas, quando a saudade aperta e a imagem deles surge muita viva em suas mentes.
Na descrição de André Luiz, há muitas senhoras [que] sustentavam lindas crianças nos braços. Então, são crianças de pouca idade, pois não faz muito sentido um Espírito levar nos braços outro Espírito que saiu da infância e já se encontra na plenitude de suas capacidades.
Um detalhe muito interessante é que a colônia preparava também futuras mães para se portarem como verdadeiras mães. Tudo é pensado, planejado, organizado para suprir as necessidades e possíveis deficiências desse grupo de Espíritos ainda vinculado a um mundo de provas e contundentes expiações, como somos todos nós.
Tal colônia abrigava, à época da 1ª edição do livro, em 1954, duas mil crianças, distribuídas em lares.
Deus conhece as razões dessa temporária separação. Assim, como pais, oremos e peçamos a Ele o apoio para sermos pacientes e resignados ante tal provação e encontraremos paz em nossos corações, enquanto o aguardado momento de revê-los não chega.

REFERÊNCIAS:
1 XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Pelo Espírito André Luiz. Brasília: FEB, 1988. cap. X, Preciosa conversação.
2 TONONI, João Jerry. Dica do dia (nº 33): grande maioria/maioria. Folha Vitória, 29 out. 2020. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/geral/blogs/portugues-em-dia/2020/10/29/dica-do-dia-no-33-grande-maioria-maioria/ – Acesso em: 29/03/2025.
3 XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Pelo Espírito André Luiz. Brasília: FEB, 1988. cap. IX, No Lar da Bênção.