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sábado 7 março 2026
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Coluna Espírita – O que é a Música?

Coluna Espírita – O que é a Música?

• Márcio Martins da Silva Costa– São José dos Campos/SP
Rossini foi um famoso compositor italiano autor de obras inesquecíveis entre óperas e canções. Após o seu desencarne, em novembro de 1868, seu espírito fora evocado pela Sociedade Espírita de Paris para falar sobre a música e a sua influência sobre o Espiritismo.
Mesmo sendo um exímio representante das artes, declinou inicialmente do convite, julgando-se incapaz de fazer uma dissertação sobre a música celeste.
Mais um mês fora esperado pela Sociedade Espírita até que em janeiro de 1869 ele se manifesta e apresenta as suas notáveis considerações.
O conteúdo total de comunicação se encontra na Revista Espírita de 1869. E vale a pena acessar o material dada a riqueza de informações a respeito do que é aquilo que chamamos de música.
Mas resumimos aqui dois pontos considerados, sob a lente do autor, cruciais ao tema.
Rossini primeiro define a harmonia. E por meio de uma comparação simples, convida-nos a reflexão de que a luz existe no universo sem precisar de chama como fonte. Da mesma forma, a harmonia sentida no cosmos também não precisa de instrumentos para se manifestar.
O termo “sentida”, inserido anteriormente, aplica-se para denotar que, da mesma forma que desenvolvemos sentimentos de alegria e ódio, também precisamos desenvolver o sentimento que nos permita perceber a harmonia.
A todo momento nos chegam sons harmoniosos: o canto dos pássaros, o movimento das folhas das árvores, águas que escorrem, grilos sinalizando o entardecer, gotas da chuva ao chão, e tantos outros que nos passam despercebidos. O Espírito de Mozart, após manifestação registrada na Revista Espírita de 1858, ressalta que em Júpiter, mundo que estaria em condições mais adiantadas que a Terra, todos estes sons se reúnem de forma harmoniosa, sem a necessidade de instrumentos, despertando um sentimento indefinível para a nossa condição de espíritos encarnados em um mundo de expiação e provas.
Passando ao segundo ponto relevante, desta harmonia que existe no universo, extraem os artistas as suas belas composições. Mas o que nos chega é uma pequena amostra de algo maior.
Do sentimento desenvolvido pelo compositor, este extrai fragmentos imperfeitos da harmonia universal para compor as suas belas manifestações musicais.
Servindo-se de instrumentos brutos e materiais, tenta escrever na partitura tudo aquilo que sentiu em sua alma.
Mais adiante, o intérprete, limitado aos recursos materiais de que dispõem, lê a partitura e busca na materialidade de seus recursos interpretar o que o compositor tentou registrar de seus sentimentos. E, salvo pela sua sensibilidade, consegue gerar os sons que comovem aqueles que ouvem.
Na audiência, ouvidos limitados são “feridos pelo ar grosseiro que o cerca”, mas conseguem transmitir à alma dos ouvintes a “horrível tradução da ideia nascida na alma do maestro”.
De um sentimento íntimo do compositor, a harmonia é levada por canais materiais até o ouvinte que recebe, sensibiliza-se e, conforme seus recursos, consegue se conectar com a harmonia celeste.
Do início deste processo, têm-se da harmonia; ao final dele, a harmonia também se faz presente. No trânsito de um lado a outro, há matéria, representada pela música.
Logo, o que é a música?
Assim como o médium permite a comunicação de um lado a outro, do plano espiritual para o material e vice-versa. A música também o faz, sendo ela o médium da harmonia.

Referências:
Revistas Espíritas – 1858/1869.