• Márcio Costa – São José dos Campos/SP
É contagiante ver a alegria de algumas crianças neste período de férias. O brilho do Sol é mais radiante, os dias são alegres, as brincadeiras não têm hora para terminar, enfim, tudo é motivo de diversão. Praias, parques, cinemas, shoppings ficam lotados com um público mirim transitando de um lado para outro com seus amiguinhos, brinquedos, doces e sorvetes. Para os que já passaram desta fase fica a surpresa de ver como há tanta energia no dia a dia dos pequenos. Sem dúvida, para as crianças que têm esta vivência, é um momento quase que mágico.
Outros, infelizmente, não tem a mesma oportunidade. Afastados do ambiente escolar, juntam-se aos pais que, com dificuldade, têm que manter a labuta diária para conseguir o almoço do dia seguinte. Sem muito com o que brincar ou para onde ir, encontram brinquedos nas mais variadas fontes materiais. Caixas de pastas de dente viram ônibus, pequenos retalhos tornam-se lençóis ou roupinhas de bonecas, pedaços de madeira viram carrinhos e, com muita imaginação, levam nos lábios os mesmos sorrisos que as crianças afortunadas.
De uma forma ou de outra a infância tem o mesmo propósito de permitir ao Espírito readaptar-se gradativamente à nova vida que se inicia ao regressar ao plano carnal. Alguns retornam em situações mais abastadas, outros em meio à ausência completa de recursos. Sem o domínio pleno de suas faculdades e ainda estreitando seus laços com o veículo físico, é neste período que o Espírito se mostra mais flexível a receber novas orientações e conselhos não só de nós, encarnados, como também, dos desencarnados.
Nesta altura, o leitor amigo talvez pergunte: “mas então onde está a ligação entre as férias e a infância?” E a resposta é simples. Dependendo das condições dos pais e responsáveis e sem considerar casos a parte, este é o único período do ano em que nossas crianças se encontram quase que vinte e quatro horas ao nosso lado. No decorrer do ano, algumas delas estarão nas escolas e creches durante boa parte do dia. Logo, é uma chance quase que única de estarmos mais presentes acompanhando o desenvolvimento de nossos filhos e enteados. Mesmo que nossas atividades se prolonguem nestes períodos de descanso, pelo menos temos a oportunidade de vislumbrar possibilidades de estarmos alguns instantes a mais com eles.
Esta é a mensagem. Se pudermos dispender minutos adicionais junto de nossos meninos e meninas, façamos sem perda de tempo. Na fase da infância, cada ensinamento, cada exemplo é marcado nas impressões pueris da criança que ainda desconhece o mundo em que acaba de chegar.
Isto não significa cercear momentos de brincadeira em troca de momentos rotineiros exclusivos com os pais ou responsáveis. Para isso haverá o ano inteiro adiante. Mas sim, estar junto deles nos momentos simples de alegria e de diversão, tornando-se um exemplo e um dos principais atores das lembranças felizes que ele levará para a vida futura.
Revendo o passado, recordo-me de um pai humilde que saía para o trabalho, mas antes passava por onde o as crianças jogavam bola e trocava sempre dois ou três passes com o filho dele antes de ir embora. De sorriso largo e aberto, aquele pai destacava-se na fileira de outros que cruzavam a brincadeira e limitavam-se à um “tchau, filho” sem expressão e quase por protocolo. O gesto era tão simples, rápido, mas de um carinho tão especial que alegrava não só o filho, mas como nós também, amiguinhos dele.
Sem me estender mais, as férias correspondem a um período natural e necessário ao descanso de todos. Alguns podem torná-la mais preenchida com atividades materiais e outros não. Mas todos nós podemos fazer algo de diferente: aproveitar a oportunidade para amarmos mais uns aos outros. Principalmente aqueles que ainda estão chegando em nosso plano material. Momentos de maior convivência são oportunidades insignes, onde o exemplo e o amor podem encontrar mais espaço para envolver pais, responsáveis e filhos nos laços tenros da vida familiar.
Infâncias memoráveis no amor, no equilíbrio, na alegria e na paz constituem a base para um futuro caminho de luz junto a todos os demais irmãos. Que nossos amados filhos e filhas tenham continuadas ótimas férias!
REFERÊNCIAS:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: FEB, 2004.
REVISTA ESPÍRITA: Jornal de Estudos Psicológicos. Paris, França: Instituto de Difusão Espírita,
v., fev. 1865. Mensal. Disponível em:
<http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1865.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2025.






















