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sábado 7 março 2026
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Coluna Espírita – Bem-aventurados os pobres de espírito

Coluna Espírita – Bem-aventurados os pobres de espírito

• Waldenir A. Cuin – Votuporanga/SP
“Bem-aventurados os pobres de Espírito, porque deles é o reino dos Céus.” (Mateus, 5:3.)
Jesus define como pobres de Espírito aqueles que já ostentam em si a humildade, virtude um tanto difícil de se obter, uma vez que só é conseguida mediante cansativos esforços, na luta ferrenha e determinada contra o orgulho, essa terrível chaga que nos compromete e incontáveis prejuízos tem provocado à humanidade.
A criatura orgulhosa acredita que o mundo deva curvar-se aos seus pés, julgando-se a mais importante das pessoas e pensando que nenhum dos seus desejos ou anseios podem deixar de ser atendidos.
Sofre, então, amargamente quando vê frustração em suas vontades. Carrega um incêndio no coração, pois que estrutura a sua vida num pedestal ilusório de fantasias e ilusões, pensando enganosamente ser muito maior do que realmente é. Não se contenta com pouco, está sempre buscando possuir e ter mais, sempre mais, sendo insaciável em suas necessidades.
Mantendo uma visão turva e equivocada sobre a realidade do quotidiano, onde se coloca como o centro das atenções, o orgulhoso alimenta valores absurdos que o conduz, com frequência, a deliberações infelizes que são os nascedouros dos seus próprios infortúnios e também do sofrimento dos que estão sob a sua danosa influência.
Enganosamente, cultiva a certeza de que sabe muito e é superior aos outros.
Esse sentimento vil e destruidor tem sido o responsável por tantas tragédias humanas, vitimando pessoas, famílias, coletividades e nações, fazendo correr rios de sangue e de lágrimas e edificando montanhas de dor e de sofrimentos, onde milhões de pessoas têm sucumbido.
Já o homem humilde é detentor de valorosa virtude. Despido do peso desnecessário da arrogância, do preconceito, da vaidade e da presunção, vive desarmado e com a liberdade de quem consegue passar pela vida como o mais rico de todos, pois que administra a sua existência visando sobreviver com um mínimo de necessidades.
Reconhecendo o seu real valor no contexto da humanidade, vive com simplicidade, embora não medindo esforços e dedicação visando à superação dos seus limites. Contenta-se com o que tem e suas conquistas são feitas de forma a não prejudicar criatura alguma.
A resignação, a fraternidade, o altruísmo e o firme desejo de fazer sempre o bem são atributos encontrados na intimidade dos humildes, que via de regra são cativantes, pacíficos e amáveis.
Elege sempre um clima de solidariedade para viver, onde prioriza ações e comportamentos, buscando a valorização do bem-estar da criatura humana.
Sente imensa satisfação ao identificar a alegria do próximo e trabalha diuturnamente para que o seu irmão do caminho encontre a plenitude de suas realizações e anseios.
Tendo constantemente a preocupação de servir e amar por ande passa, consegue compreender aqueles que ainda estão seguindo na contramão daquilo que é realmente belo, nobre e sublime.
Confiando plenamente no Criador, carrega a convicção absoluta de que tudo caminha sob os olhares atentos e responsáveis de Jesus e se dedica, ao máximo, visando contribuir com a definitiva implantação do reino de Deus aqui na Terra.
Enquanto o orgulhoso se fecha, egoisticamente, em si mesmo, na defesa dos seus conceitos absurdos, carregando o peso da armadura da insensibilidade, o humilde se expande livremente volitando nas asas da alegria em servir ao próximo, de viver com poucas necessidades, de ser um instrumento da paz entre os homens e de ajudar a construir um mundo mais humano, fraterno e solidário.
Bem-aventurados os pobres de espírito, disse Jesus.
Bem-aventurados os humildes, os simples, os desarmados, os fraternos, os solidários.
Bem-aventurados os que conseguem colocar o sorriso no rosto alheio…