• Raul Teixeira – Niterói/RJ
O Espírito Emmanuel, guia espiritual do médium brasileiro Chico Xavier, recomendara-lhe, outrora, que para obter bom êxito na execução do trabalho espírita, necessitaria de disciplina, disciplina e disciplina. Seria a repetição da palavra um simples reforço para enfatizar a vital importância da disciplina para o médium ou essa palavra tem outras abrangências?
O importante é que essa repetição da palavra disciplina, não sendo apenas uma figura de linguagem ou um reforço da ideia, leva-nos a verificar o quanto essa virtude é importante e imprescindível para qualquer pessoa que anseie por realizar com a sua melhor perfeição alguma atividade no mundo.
Indaguemos aos músicos e bailarinos, por exemplo, a respeito da disciplina que necessitam ter, para que se apresentem com seus virtuosismos, conseguindo arrancar aplausos e reconhecimentos populares. Horas e horas de ensaios exaustivos; necessidade de repetir o que não esteja suficientemente bom; o balanceamento da alimentação para que o corpo esteja em boa forma e não lhes cause desagradáveis surpresas.
Perguntemos aos atores – de teatro, cinema ou de televisão – e aos atletas desportivos sobre a disciplina que têm que ter, de modo a se exibir galhardamente, tornando-se verdadeiros ícones da interpretação cênica e da superação dos limites corporais. Horas e horas de ensaios e treinos exigentes; as repetições que lhes são impostas incontáveis vezes, o bom trato e exercício da memória; o respeito aos valores nutricionais dos alimentos que consomem, para que, no momento de suas apresentações, tudo saia conforme foi programado para a busca do sucesso.
Os médiuns não são diferentes. Há necessidade de disciplina no uso que fazem de tudo o que a vida lhes confere. Não comer demais nem de menos, mais como a sua constituição física o exige. Evitar o alcoolismo – que nos retira da plena lucidez e do controle das nossas ações – uma vez que não sabemos em que momento poderemos ser acionados para a ação do bem.
Cuidar dos conteúdos que são lidos ou assistidos, bem como dos assuntos que são conversados, sem nenhuma neurose, por saber que a mente – instrumento principal no trabalho dos médiuns – fica impregnada desses produtos que tanto interferirão nos processos de concentração e da filtragem psíquica quanto perturbarão com a eclosão de cada momento de cenas, textos e falas indevidas de que se haja nutrido. Enfim, é fundamental todo o cuidado com o mundo íntimo, com a vida moral que se leva cotidianamente, a fim de dar boa conta dos compromissos espirituais da mediunidade.
Temos aí alguns motivos pelos quais o médium Francisco Cândido Xavier, tutelado espiritual de Emmanuel, conseguiu atuar na mediunidade luminosa e útil, ao longo de mais de 70 anos, como fiel intérprete dos Espíritos Superiores, bem como benfazejo enfermeiro socorrista dos Espíritos sofredores, encarnados e desencarnados, sem reclamações ou queixas, sem exigências de ordem material, sem exibicionismos de quaisquer tipos, vivendo a virtude do amor a Deus e ao próximo com total desinteresse pessoal.
As disciplinas vividas por Chico Xavier transformaram-no no maior modelo de médium para os nossos dias e para os tempos porvindouros do nosso planeta.
Nota: Do livro Quando a vida responde – Diversos Espíritos – Editora Fráter – questão 6






















